Autoridades em Buenos Aires e em Pequim procuraram ontem(12) minimizar uma disputa que prejudicou o comércio de óleo de soja, um produto que é fundamental para a economia argentina e em alta demanda na China. A China começou a aplicar controles de qualidade mais rígidos e passou o licenciamento das importações nas mãos de autoridades centrais. Em 1º de abril, afirmando que o óleo argentino continha traços de solventes em nível mais alto que o aceitável, as importações chinesas foram encerradas.
A Argentina afirma que a China está retaliando por causa de restrições comerciais impostas por Buenos Aires sobre importações manufaturadas, no ano passado, durante a crise financeira mundial. Em março de 2009, numa tentativa de preservar a indústria e o câmbio, a presidente argentina, Cristina Kirchner, impôs medidas antidumping, um mecanismo que permite aos governos aplicar tarifas quando acreditam que as importações são vendidas a preços abaixo dos níveis normais de mercado.
Analistas disseram não acreditar que a pendência dure muito, porque os países compartilham de uma dependência mútua no que diz respeito ao óleo de soja. A Argentina conta com a China para absorver quase metade de suas exportações da commodity, e está prevendo um grande aumento de produção este ano. A China recebeu 77% de seu óleo de soja importado no ano passado da Argentina. A China não quer correr o risco de alimentar a inflação, que pode decorrer de um corte no fornecimento da Argentina. Se a China passar a comprar óleo de soja dos Estados Unidos e do Brasil não conseguirá o suficiente para satisfazer a demanda. Os EUA e o Brasil juntos podem fornecer apenas 70% do que a Argentina pode exportar.
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